O remédio para idoso com demência dormir é o que a família procura depois de noites viradas, com o seu pai ou a sua mãe acordado e agitado, trocando o dia pela noite.
Antes de chegar ao comprimido, porém, existe muito o que fazer. Alguns desses remédios podem até piorar tudo se usados sem cuidado.
Os médicos têm, sim, o que receitar, com nomes conhecidos. Mas começar pela farmácia raramente resolve o problema.
A demência é o pano de fundo, principalmente o Alzheimer, a causa mais comum.
Quais remédios o médico usa para o idoso com demência dormir?
Antes dos nomes, um aviso importante. Não existe um remédio feito para o idoso com demência dormir; todos vêm de outras áreas da medicina, adaptados para esse uso.
A escolha é sempre do médico.
Como resume o geriatra Dr. Pelegrino, “não existe um medicamento específico para acalmar a pessoa com doença de Alzheimer; nós usamos medicamentos já usados na psiquiatria”.
Entre as opções que o médico pode receitar estão:
- a melatonina, a mais segura, para reajustar o relógio do sono;
- um antidepressivo que dá sono em dose baixa à noite, como a trazodona ou a mirtazapina;
- um calmante do grupo dos benzodiazepínicos, como o clonazepam, só em situações pontuais e com muita cautela;
- um antipsicótico, como a quetiapina, a risperidona ou a olanzapina, reservado para quando há agitação ou delírio junto, nunca só para o sono.
Cada um desses remédios tem indicação, dose e horário próprios, definidos pelo médico que acompanha o idoso.
Leia mais: Quais as causas de insônia no idoso e como tratar
Por que esses remédios exigem tanto cuidado?
Esses remédios ajudam em alguns casos, mas trazem riscos sérios para quem tem demência. Nenhum deles pode ser dado por conta própria.
Os calmantes benzodiazepínicos aumentam o risco de queda, de confusão e de piora da memória no idoso.
Já os antipsicóticos são ainda mais perigosos. Eles elevam o risco de AVC e de morte em pessoas idosas com demência, por isso ficam guardados para casos específicos e na menor dose possível.
A resposta ao remédio também é imprevisível. O mesmo comprimido que acalma um idoso pode agitar outro, ou deixar de fazer efeito com o tempo.
Por isso a dose certa muda ao longo do tratamento, sempre pela mão do médico, não da família.
Por que o idoso com demência não dorme à noite?
A demência mexe com o sono porque atinge as áreas do cérebro que comandam o relógio biológico. O corpo se perde entre o dia e a noite, sem hora certa para dormir.
“A doença de Alzheimer pode afetar o relógio biológico, pode afetar os centros do sono”, explica o geriatra Dr. Pelegrino.
O efeito é imprevisível. Uns dormem demais de dia, outros passam a noite em claro.
Sem sono de qualidade, o idoso fica mais confuso e irritado. E quem cuida, que também não dorme, chega ao limite depois de algumas semanas.
Como ajudar o idoso com demência a dormir sem remédio?
Antes de qualquer comprimido, o tratamento começa pela rotina. É por aí que os médicos mandam começar, porque mudança de hábito não tem efeito colateral.
Nas palavras do geriatra, “quando as medidas não medicamentosas não surtirem efeito, precisamos usar medicamentos”. Ou seja, primeiro a rotina, depois o remédio.
Algumas medidas ajudam o corpo a reencontrar o horário de dormir:
- deixar o idoso na luz do dia pela manhã e ativo durante o dia;
- cortar ou encurtar o cochilo da tarde; tirar o café, o chá preto e o refrigerante do fim do dia;
- deixar o quarto escuro, silencioso e numa temperatura agradável;
- cuidar do que incomoda à noite, como dor, fome, sede ou fralda molhada.
O que é a síndrome do pôr do sol (sundowning)?
A síndrome do pôr do sol é a piora de agitação e confusão no fim da tarde e no começo da noite, comum em quem tem demência.
Quando isso acontece perto da hora de deitar, dormir fica ainda mais difícil.
Deixar o fim do dia mais calmo ajuda bastante. Acenda as luzes antes de escurecer, reduza o barulho e as visitas e concentre as atividades mais puxadas na parte da manhã.
Quando procurar o médico pelo sono do idoso com demência?
Procure o médico sempre que o sono do idoso com demência atrapalhar o dia dele ou a saúde de quem cuida.
O geriatra é o profissional mais indicado para avaliar o caso, ao lado do neurologista ou do psiquiatra que já acompanha a demência.
Alguns sinais pedem pressa:
- ronco forte com paradas na respiração;
- pernas que não sossegam à noite;
- sonolência que cresce de repente;
- agitação que não cede;
- dentre outros.
Fontes
- Alzheimer: dificuldades para dormir, insônia e sonolência excessiva, com o geriatra Dr. Pelegrino
- Alzheimer: remédios para acalmar, com o geriatra Dr. Pelegrino
- Eficácia e segurança dos antipsicóticos atípicos nas demências: uma revisão sistemática (SciELO / Jornal Brasileiro de Psiquiatria)

Fábio Guedes é jornalista (MTb 77804) com mais de 15 anos de experiência em coberturas de temas relacionados às áreas da saúde, negócios e finanças.
Criou o Idoso Saudável, por acreditar que o brasileiro deve poder decidir como quer viver a própria velhice, com informação confiável ao alcance dele e de quem cuida dele.





