Magnésio para idoso: para que serve, qual o melhor e quando faz falta

Idosa se servindo de salada verde, arroz com feijão e castanhas, alimentos ricos em magnésio

O magnésio para idoso está entre os suplementos mais procurados na terceira idade, prometido para a cãibra, o sono e a disposição, mas, antes de comprar, é bom saber o que ele faz e quando realmente falta.

O magnésio participa de muitas funções do corpo, mas nem todo idoso precisa suplementar. O tipo, que gera tanta dúvida, importa menos do que a propaganda faz parecer.

Para que serve o magnésio no idoso?

O magnésio participa de centenas de reações no corpo, ajudando o músculo a contrair e a relaxar e mantendo os nervos e o coração em funcionamento. Também é importante para os ossos e para o controle do açúcar no sangue.

A maior parte dele fica guardada dentro das células e nos ossos, enquanto no sangue circula só cerca de 1%, o que torna a falta difícil de enxergar num exame comum.

O idoso pode tomar magnésio?

Na maioria dos casos, sim, desde que na dose certa e com uma boa razão. O primeiro passo, porém, vem do prato, antes da cápsula.

Quem tem doença renal precisa de cuidado especial, porque o rim é quem elimina o excesso de magnésio. Como resume a geriatra Dra. Ângela Costa, “suplemento não conserta estilo de vida ruim”.

Quais os sintomas da falta de magnésio no idoso?

Os sinais são pouco específicos e fáceis de confundir com outras causas. Os mais comuns são:

  • cãibras e fraqueza muscular;
  • formigamento nas mãos e nos pés;
  • cansaço e irritação.

Na falta leve, muitas vezes não há sintoma nenhum, e, como só uma fração do magnésio circula no sangue, o exame comum nem sempre revela o problema.

Por que a falta de magnésio é comum no idoso?

Com a idade, o corpo absorve menos magnésio, enquanto a alimentação fica mais pobre nesse mineral. O que mais influencia, porém, são alguns remédios de uso contínuo.

Segundo a revisão sobre o tema publicada no New England Journal of Medicine e discutida pela geriatria do HC-UFMG, os que mais derrubam o magnésio ao longo do tempo são:

  • o omeprazol e outros remédios para o estômago;
  • os diuréticos usados na pressão e no coração;
  • a digoxina.

Se você usa algum desses remédios de forma contínua, comente com o médico sobre o magnésio.

Qual o melhor magnésio para o idoso?

Não existe um tipo mágico. O melhor é o que o corpo absorve bem e o intestino tolera, na dose que o médico indicar. Entre as formas mais vendidas:

  • glicinato (quelato): bem absorvido e suave no intestino, boa opção geral;
  • dimalato: sal orgânico bem tolerado, um dos mais vendidos;
  • citrato: absorve bem, mas em dose maior solta o intestino;
  • óxido: o mais barato, porém mal absorvido e mais laxativo;
  • treonato: vendido para a memória, com evidência ainda fraca.

Para a maioria dos idosos, o tipo importa menos do que ter mesmo a falta e acertar a dose.

O magnésio ajuda na cãibra e no sono do idoso?

Ajuda quando existe falta, não como solução para todos. Repor o magnésio em quem está com o nível baixo pode aliviar cãibras e melhorar um pouco o sono.

Em quem já tem magnésio suficiente, tomar mais não traz efeito extra: para a cãibra, a evidência de benefício é fraca, e para o sono é apenas modesta.

Quanto magnésio o idoso precisa e como tomar?

A necessidade diária fica em torno de 320 mg para as mulheres e 420 mg para os homens, mas a maior parte disso deve vir da comida.

As melhores fontes são as folhas verdes, as castanhas, o feijão e os cereais integrais. Quando o médico indica o suplemento, ele ajusta a dose e a forma ao caso e orienta o horário, longe de certos remédios.

O magnésio faz mal ao idoso?

Na dose comum, o efeito mais frequente é o intestino solto, principalmente com as formas mais baratas, embora o corpo saudável elimine o excesso pela urina sem maior problema.

O risco maior está na doença renal, porque, quando o rim não filtra bem, o magnésio se acumula e pode chegar a níveis perigosos. Por isso, quem tem problema nos rins ou toma vários remédios de uso contínuo só deve suplementar com orientação médica.

“Mais suplemento não significa mais saúde”, lembra a Dra. Ângela Costa.

Fontes

Fábio Guedes

Fábio Guedes é jornalista (MTb 77804) com mais de 15 anos de experiência em coberturas de temas relacionados às áreas da saúde, negócios e finanças.

Criou o Idoso Saudável, por acreditar que o brasileiro deve poder decidir como quer viver a própria velhice, com informação confiável ao alcance dele e de quem cuida dele.

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