A vitamina D para idoso está em quase toda receita e nas prateleiras de farmácia, apontada como reforço para os ossos e a imunidade.
Muitos idosos têm mesmo falta dela.
Antes de tomar por conta própria, é bom saber o que a vitamina D faz e quando o idoso precisa repor.
Para que serve a vitamina D no idoso?
“A vitamina D, na verdade, não é uma vitamina, ela é um hormônio”, explica o endocrinologista Dr. João Sério.
Nas palavras dele, a vitamina D “é fundamental para manter os níveis de cálcio no nosso corpo”.
Esse cálcio é o mineral que sustenta os ossos e ainda ajuda o músculo e o coração a trabalhar. Sem vitamina D suficiente, o osso enfraquece e fica mais exposto à osteoporose.
Em bom nível, a vitamina D ajuda o idoso a manter a força muscular e o equilíbrio, o que significa menos risco de queda e de fratura.
Por que a falta de vitamina D é tão comum no idoso?
Com a idade, a pele produz menos vitamina D a partir do sol, mesmo com a exposição de sempre.
Some a isso uma rotina com menos sol e um intestino que absorve menos.
O idoso quase nunca sente essa queda, então descobre a falta só quando faz um exame de sangue.
Quais os sintomas da falta de vitamina D no idoso?
A falta de vitamina D muitas vezes passa sem sintoma claro. Quando dá algum sinal, ele pode ser:
- cansaço
- fraqueza
- dor no osso ou no músculo
Com o tempo, a falta enfraquece os ossos e aumenta o risco de queda e de fratura. Como nem sempre há sintoma, o jeito seguro de saber é o exame de sangue.
Qual o valor ideal de vitamina D para o idoso?
O valor vem do exame de sangue chamado 25(OH)D, que mede a vitamina D no corpo. Esse alvo não é igual para todo mundo.
Pela referência da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o adulto saudável até 60 anos fica bem com um nível acima de 20 ng/mL.
Para o idoso e para os grupos de risco, entre eles quem tem osteoporose, o alvo é mais alto, a partir de 30 ng/mL.
Quem define a meta e pede o exame é o médico, porque a sensação de cansaço não revela o nível real.
Quanto de vitamina D o idoso deve tomar?
A reposição só faz sentido quando o exame mostra falta. Nesse caso, o médico prescreve a vitamina D3 na dose que corrige o nível e depois o mantém.
A dose de manutenção fica, em geral, entre 800 e 2.000 unidades (UI) por dia, mas o número exato depende do seu exame e de quanto falta.
Sol da manhã e alimentos como peixe e ovo ajudam, embora quase nunca bastem sozinhos para corrigir uma falta grande.
Qual a melhor vitamina D para o idoso: gotas ou cápsula?
O que importa é a vitamina D3, também chamada de colecalciferol, a forma que o corpo aproveita melhor que a D2, comum em fórmulas antigas.
Entre gotas e cápsula, as duas funcionam bem, então a escolha fica na praticidade.
As gotas ajudam o idoso que tem dificuldade de engolir comprimido, caso de muitos acamados, enquanto a cápsula é prática para quem toma sem ajuda.
Você talvez veja a vitamina D3 vendida junto com a K2. A combinação pode ajudar a direcionar o cálcio para o osso, mas quem corrige a falta é a própria vitamina D, então deixe essa escolha para o médico.
Como o idoso deve tomar a vitamina D?
A vitamina D é lipossolúvel, o que quer dizer que o corpo absorve melhor quando ela vem junto de uma refeição com um pouco de gordura. Em jejum, o corpo aproveita menos.
O horário não muda muito o resultado. Fixe a vitamina D numa refeição fácil de lembrar, como o almoço ou o jantar, para tomar todo dia sem falha.
Tomar sol substitui a vitamina D no idoso?
Ajuda, mas raramente basta. Quem fica muito em casa ou está acamado quase não recebe sol, e mesmo o idoso que se expõe todo dia dificilmente alcança o nível de que precisa.
Alguns minutos de sol da manhã ajudam a manter o nível, sem exagero e sem queimar a pele, o que traz risco de câncer.
Quando o exame mostra uma falta importante, porém, o sol sozinho não basta, e a reposição precisa vir do suplemento.
O excesso de vitamina D faz mal ao idoso?
Faz. A ideia de que “quanto mais, melhor” é perigosa com a vitamina D.
Em dose alta por conta própria, ela se acumula e eleva demais o cálcio no sangue. Esse excesso de cálcio pode trazer:
- enjoo
- pedra nos rins
- problema no coração
Por isso, só tome vitamina D com exame na mão e acompanhamento do médico, que ajusta a dose e refaz o controle depois.
Fontes
- Para que serve a vitamina D? Benefícios, riscos e valores de referência, com o endocrinologista Dr. João Sério
- Valores de referência da vitamina D (SBEM)
- Recomendações da SBEM para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D (Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, SciELO)
- Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG)





