A queda atinge cerca de um em cada quatro idosos no Brasil todo ano.
E, passados os 80 anos, essa chance chega a 40%.
Não à toa a queda é a principal causa de morte por acidente nessa fase da vida e, quando não mata, muitas vezes tira a autonomia de quem vinha se virando bem sozinho.
Os números do SUS mostram o tamanho do problema.
Só em 2024 foram mais de 344 mil atendimentos e internações de idosos por queda, e mais de 13 mil mortes.
E a maior parte desses acidentes acontece onde parece mais seguro, dentro de casa.
A maioria dessas quedas, porém, pode ser evitada, já que somam fatores conhecidos, do corpo aos remédios e à casa, e cada um deles tem como ser reduzido.

Por que a queda é tão perigosa para o idoso?
A queda é perigosa porque o corpo do idoso resiste menos ao impacto e se recupera mais devagar.
O que num adulto jovem seria um susto, no idoso pode significar uma fratura, uma internação e um longo tempo parado.
“As quedas representam uma grande ameaça à saúde e ao bem-estar das pessoas idosas, porque ocorrem com grande frequência e podem trazer consequências extremamente danosas”, resume o geriatra Daniel Gomes.
A lesão mais temida é a fratura do fêmur, o osso da coxa que se quebra perto do quadril. Ela costuma exigir cirurgia, e a recuperação é difícil.
Cerca de um em cada quatro idosos morre no ano seguinte a essa fratura, na maioria das vezes por complicações da imobilidade, como pneumonia e trombose.
Há ainda um efeito menos visível. Depois de cair, muitos idosos passam a viver com medo de cair de novo, um medo tão intenso que os médicos lhe dão nome, ptofobia.
“Um idoso que cai passa a desenvolver um medo excessivo de cair novamente. Isso faz com que ele reduza o nível de suas atividades, o que diminui a força, a massa muscular e o equilíbrio, e essa redução aumenta o risco de ele voltar a cair”, destaca o médico.
O que faz o idoso cair?
A queda raramente tem uma causa só. Ela costuma ser o encontro de vários fatores no mesmo instante e, por isso, é preciso conhecê-los para reduzir o risco:
- Fraqueza e falta de equilíbrio. A perda de força nas pernas e a piora do equilíbrio com a idade são a base de boa parte das quedas.
- Remédios. O uso de muitos medicamentos ao mesmo tempo, principalmente calmantes e remédios para dormir, causa tontura e sonolência.
- Visão que piora. Enxergar menos faz o idoso não ver o degrau, o tapete ou o móvel no caminho.
- Doenças. Labirintite, Parkinson, diabetes, sequela de AVC e até uma infecção urinária ou respiratória tiram o equilíbrio e derrubam.
- A casa. Iluminação fraca, piso escorregadio, tapetes soltos e calçado inadequado aumentam muito o risco dentro de casa.
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Como prevenir quedas em idosos?
A prevenção da queda em idosos se divide, basicamente, em quatro linhas.
O corpo. O exercício de força e equilíbrio é a defesa mais poderosa, porque quebra o ciclo vicioso da queda: pernas mais fortes e equilíbrio melhor reduzem o risco e devolvem a confiança para se mexer.
A casa. É onde está o maior ganho, já que a maioria das quedas acontece dentro de casa. Piso antiderrapante, barras de apoio no banheiro, boa iluminação, tapetes fixos ou removidos e calçado firme reduzem bastante o risco.
“Muitas vezes as pessoas esperam para colocar as barras de proteção depois da queda. Na verdade, a gente já tem que fazer isso antes, para que a queda não aconteça”, alerta a enfermeira Carina Guidoni.
Barra de apoio para banheiroqual escolher, onde e em que altura instalar
Cadeira de banho para idosopara o idoso tomar banho sentado, com segurançaOs remédios. Leve a lista de tudo que o idoso toma ao médico e peça uma revisão, para cortar ou trocar o que causa tontura e sonolência. Nunca mexa por conta própria.
A visão e os pés. Consulta de olho em dia, óculos com o grau certo e calçado fechado, firme e antiderrapante fecham a conta da prevenção.
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O que fazer quando um idoso cai?
A primeira regra é não levantar o idoso de qualquer jeito. Sem saber o que causou a queda nem se algo quebrou, apressar o levantar pode piorar uma lesão.
A enfermeira Carina Guidoni orienta começar pela avaliação. “Verifique se a pessoa está consciente e conversando, se bateu a cabeça e se sente dor ou tontura.”
Numa queda leve, em que o idoso apenas escorregou e está bem, ajude-o a sentar numa cadeira, observe e use uma compressa gelada se houver uma pancada sem dor forte.
Diante de sinais graves, a conduta muda.
Se o idoso bateu a cabeça, sente muita dor ou há suspeita de fratura, não o mova.
Acione o SAMU pelo telefone 192, mantenha a pessoa imóvel e aquecida com um cobertor até a ajuda chegar, e, se houver ferimento sangrando, pressione o local com um pano limpo.
Quando a queda é sinal de um problema de saúde?
Uma queda isolada, com causa clara, pede cuidado com o ambiente.
Já a queda que se repete demanda investigação, porque entre os idosos que caem, boa parte volta a sofrer quedas no ano seguinte.
Alguns sinais indicam que a queda é o sintoma de algo maior:
- tontura frequente;
- desmaio;
- quedas sem motivo aparente;
- várias quedas em pouco tempo.
Nesses casos, a queda pode apontar um problema de pressão, de coração, de labirinto ou o efeito de um remédio.
Procure o médico que acompanha o idoso ou um geriatra para investigar a causa. Com a causa tratada, o risco de uma nova queda cai bastante.
Fontes
- Queda de idosos: mais de 344 mil atendimentos e internações e 13.385 mortes em 2024, dados do Ministério da Saúde (Agência Brasil/EBC)
- Saúde da pessoa idosa: prevenção de quedas, Ministério da Saúde
- Acidentes por quedas na população idosa: análise de tendência temporal de 2000 a 2020 e o impacto no sistema de saúde brasileiro, Ciência & Saúde Coletiva (SciELO)
- Daniel Gomes, médico geriatra
- Carina Guidoni, enfermeira

Fábio Guedes é jornalista (MTb 77804) com mais de 15 anos de experiência em coberturas de temas relacionados às áreas da saúde, negócios e finanças.
Criou o Idoso Saudável, por acreditar que o brasileiro deve poder decidir como quer viver a própria velhice, com informação confiável ao alcance dele e de quem cuida dele.





