Passar o idoso da cama para a cadeira parece simples, mas é um dos movimentos em que mais gente se machuca, o idoso e quem cuida.
Com a técnica certa, a transferência é mais jeito do que força.
Na pressa ou puxando pelo lugar errado, o movimento força a coluna de quem cuida e pode derrubar o idoso.
Com um passo a passo e alguns cuidados, dá para fazer a transferência com tranquilidade, mesmo com uma pessoa só.
O que preparar antes de passar o idoso para a cadeira?
O preparo é metade do serviço. Antes de encostar no idoso, deixe tudo pronto:
- Posicione a cadeira ao lado da cama, num ângulo de 45 graus, do lado mais forte do idoso.
- Trave a cadeira e recolha ou retire os apoios de pé, para não ficar no caminho.
- Calce o idoso com um sapato fechado e antiderrapante, nunca de meia.
- Deixe a cama na altura em que os pés dele encostem no chão ao sentar.
A enfermeira e gerontóloga Kamille de Oliveira reforça esse cuidado inicial: “é fundamental a cadeira de rodas posicionada no ângulo de 45 graus da cama do paciente, e lembre-se de travar a cadeira”. Cadeira solta é a causa mais comum de queda na transferência.
Como passar o idoso da cama para a cadeira, passo a passo?
A manobra tem uma ordem que dá segurança aos dois. Siga esta sequência:
- Vire o idoso de lado. Dobre o joelho do lado contrário ao giro, cruze os braços dele sobre o peito e traga-o de lado, ficando sempre à frente para ele não sentir que vai cair.
- Sente-o na beira da cama. Desça as pernas dele para fora ao mesmo tempo que ergue o tronco, e espere alguns segundos sentado, porque é comum dar uma tontura ao levantar.
- Trave o joelho. Encoste o seu joelho no joelho dele, o que segura a perna e evita que ela dobre na hora.
- Deixe-o se apoiar em você. Peça que ele segure na sua nuca ou nos seus ombros, nunca puxando pelo seu pescoço.
- Gire e sente devagar. Levante, gire o corpo em direção à cadeira a 45 graus e desça o idoso com calma até o assento.

Ao ajeitar o idoso na cadeira, passe os braços por baixo das axilas dele e segure punho com punho, sem apertar o braço. Depois, posicione os pés nos apoios e confira se ele está encostado no fundo do assento.
Como proteger a própria coluna na hora de transferir?
Quem cuida se machuca por levantar peso com a coluna, e não com as pernas. O jeito certo é dobrar os joelhos, manter as costas retas e trazer o idoso para perto do seu corpo antes de erguer.
Kamille de Oliveira repete isso a cada passo do movimento: “lembrando sempre de manter o abdômen contraído e o joelho flexionado”.
Nunca gire o tronco com peso nos braços. Movimente os pés para virar o corpo inteiro de uma vez, em vez de torcer a cintura.
Se sentir que o esforço passa dos seus limites, é sinal de que a transferência precisa de duas pessoas ou de um apoio.
Quando usar a cinta de transferência?
A cinta de transferência é uma faixa que envolve a cintura do idoso e dá a você uma pegada firme, sem precisar puxar pelo braço.
Ela vale quando o idoso não entende bem o comando de abraçar, quando não fica firme em pé ou quando você quer poupar a coluna.
“A cinta de transferência é uma opção segura e que traz conforto para você e para o paciente”, diz Kamille de Oliveira.
Além dela, existem a tábua de transferência, uma prancha que faz a ponte entre a cama e a cadeira, e o disco giratório, que ajuda a virar quem consegue ficar de pé.
O fisioterapeuta ou uma loja de produtos ortopédicos indica o mais adequado.
E se o idoso não colabora ou é muito pesado?
Nesse caso a regra muda, não faça sozinho o que pede duas pessoas.
Quando o idoso não ajuda com o corpo ou pesa mais do que você consegue segurar com segurança, o certo é chamar alguém para a transferência a quatro mãos, cada um de um lado.
Nos casos de dependência total, existe o guindaste de transferência, um equipamento com uma rede que ergue o idoso e o deposita na cadeira sem esforço para as costas de ninguém.
O fisioterapeuta pode ensinar a técnica na sua casa e indicar o apoio certo para o seu caso.
Que erros perigosos evitar?
Alguns descuidos transformam a transferência em acidente:
- Puxar pelo braço ou pela axila, que pode deslocar o ombro frágil do idoso.
- Transferir com a cadeira destravada, que escapa no meio do movimento.
- Fazer na pressa, sem esperar a tontura passar quando o idoso senta.
- Erguer com a coluna curvada, o caminho mais rápido para a dor nas suas costas.
Sobre a forma de segurar, Kamille de Oliveira orienta que, em vez de tracionar o ombro para levantar, o certo é “pegar por detrás, dando a segurança necessária para o paciente ficar de pé”.
Na dúvida sobre a melhor técnica para o seu caso, peça a orientação de um fisioterapeuta.
Dá para passar o idoso da cama para a cadeira sozinho?
Dá, desde que o idoso colabore um pouco e não seja pesado demais para você. A cinta de transferência ajuda muito nesses casos. Se ele não ajuda com o corpo ou é muito pesado, o seguro é fazer com duas pessoas.
Como evitar que o idoso sinta tontura ao levantar?
Deixe-o sentado na beira da cama por alguns segundos antes de levantar, com os pés no chão. Essa pausa dá tempo para a pressão se ajustar e evita a tontura que vem quando o idoso muda de posição depressa.
Onde encontrar a cinta de transferência?
Em lojas de produtos ortopédicos e de artigos para saúde, físicas ou pela internet. O fisioterapeuta que acompanha o idoso também indica o modelo e o tamanho certos e ensina a usar.
Com que frequência tirar o idoso da cama?
Sempre que a saúde dele permitir, de preferência todos os dias. Passar da cama para a cadeira melhora a circulação, a respiração e o ânimo, e ajuda a prevenir as escaras de quem fica muito tempo deitado.
Idoso com fratura de quadril pode ser transferido em casa?
Só com a liberação e a orientação do médico ou do fisioterapeuta. Depois de uma fratura ou cirurgia de quadril, alguns movimentos são proibidos, e a transferência precisa seguir a técnica que a equipe ensinar.
Fontes
- Ministério da Saúde: Guia prático do cuidador
- Kamille de Oliveira, enfermeira e gerontóloga, sobre a transferência segura do idoso

Fábio Guedes é jornalista (MTb 77804) com mais de 15 anos de experiência em coberturas de temas relacionados às áreas da saúde, negócios e finanças.
Criou o Idoso Saudável, por acreditar que o brasileiro deve poder decidir como quer viver a própria velhice, com informação confiável ao alcance dele e de quem cuida dele.





