Colchão para escaras: tipos, como escolher e qual o melhor para cada caso

Idoso deitado em colchão pneumático anti-escaras enquanto a cuidadora ajeita o lençol Imagem: Arquivo Idoso Saudável

Escolher um colchão para escaras é uma das primeiras decisões de quem cuida de um idoso acamado.

A ferida por pressão, que muita gente chama de escara, se forma rápido em quem passa o dia na mesma posição, e o colchão certo é a primeira barreira contra ela.

O colchão alivia a pressão sobre as partes do corpo apoiadas na cama, onde a pele sofre mais. Mas ele não faz o trabalho sozinho: continua sendo preciso mudar o idoso de posição e cuidar da pele todos os dias.

O tipo ideal depende do risco de cada idoso e do quanto ele ainda se mexe sozinho na cama.

Como o colchão ajuda a prevenir escaras?

A escara, cujo nome técnico é lesão por pressão, surge quando o peso do corpo comprime a pele contra o colchão por muito tempo.

Falta sangue ali e a pele começa a morrer, primeiro com uma vermelhidão que não some, depois com uma ferida aberta.

O colchão certo ajuda ao distribuir e aliviar essa pressão, sobretudo nas partes onde o osso é mais saliente, como calcanhar, sacro e quadril.

Quanto menor a pressão em cada região apoiada, menor o risco de a pele sofrer.

Quais os tipos de colchão para escaras?

Existem três tipos mais usados em casa, do mais simples ao mais completo. Cada um serve a um nível de risco.

  • Caixa de ovo (espuma alveolada): a superfície em relevo distribui o peso e deixa o ar circular. É o mais barato, indicado para prevenção e para quem ainda muda de posição sozinho.
  • Pneumático de pressão alternada: um compressor infla e esvazia as células em ciclos, o que muda sozinho os pontos de apoio o tempo todo. É o mais indicado para risco médio a alto e para quem passa muitas horas parado.
  • Viscoelástico (a chamada espuma da NASA, ou gel): molda-se ao corpo e distribui o peso de forma constante, sem motor. Serve para conforto e para quem não tolera o ruído do compressor.

Qual o melhor colchão para escaras em cada caso?

O melhor colchão muda conforme o risco de cada idoso. Abaixo, uma indicação por tipo, com um modelo de cada.

Para prevenção e orçamento curto, quando o idoso ainda se mexe na cama, a caixa de ovo já ajuda bastante.

Colchão caixa de ovo de espuma alveolada

Colchão Caixa de Ovo Anti-escaras (espuma D28, solteiro)

★ 4,2 · 11 avaliações · cerca de R$ 118

Espuma alveolada que alivia a pressão e deixa o ar circular. Boa para prevenção e para o idoso que ainda muda de posição sozinho.

Para risco médio a alto, quando o idoso passa o dia deitado e quase não muda de posição, o pneumático de pressão alternada é a escolha mais segura.

Colchão pneumático com compressor

Colchão Pneumático Anti Escaras com Compressor 110V – Multi Saúde HC287

★ 4,7 · 443 avaliações · cerca de R$ 240

Colchão de ar com compressor que alterna a pressão em ciclos e muda sozinho os pontos de apoio. O mais indicado para quem passa o dia deitado. Suporta cerca de 130 kg.

Para conforto e redistribuição sem motor, o viscoelástico molda ao corpo e serve a quem tem risco menor ou não suporta o barulho do compressor.

Pillow top viscoelástico sobre a cama

Pillow Top Viscoelástico Espuma da NASA (solteiro) – BF Colchões

★ 4,5 · 791 avaliações · cerca de R$ 479

Camada de espuma viscoelástica que molda ao corpo e distribui o peso, sem motor nem barulho. Vai por cima do colchão atual, para conforto e risco menor.

Leia mais: Como cuidar de idoso acamado no dia a dia

Como escolher o colchão para escaras?

A escolha começa pelo grau de risco, que o profissional de saúde ajuda a avaliar.

Quanto mais tempo o idoso fica parado e quanto pior a nutrição e a circulação, maior a necessidade de um colchão ativo, como o pneumático.

Antes de comprar, confira também:

  • Peso do idoso: os pneumáticos costumam ter limite em torno de 130 kg, informado pelo fabricante.
  • Com ou sem compressor: o motor faz um ruído baixo e fica ligado o tempo todo, o que incomoda alguns idosos.
  • Capa impermeável e lavável: protege o colchão da urina e facilita a limpeza.
  • Tamanho: confira a medida da cama, já que muitos são de solteiro ou padrão hospitalar.

Na dúvida entre dois tipos, vale conversar com o enfermeiro ou o profissional que acompanha o idoso.

O SUS ou o plano de saúde fornece colchão para escaras?

Depende do caso e da cidade. Pelo SUS, idosos acompanhados por programas de atenção domiciliar, como o Melhor em Casa, podem receber o colchão pneumático conforme a avaliação da equipe, mas a oferta varia de município para município.

O caminho é procurar a unidade de saúde ou a secretaria municipal.

No plano de saúde, a cobertura costuma valer quando o idoso tem home care autorizado.

Fora do regime de internação domiciliar, ela não é garantida e depende do contrato. Confirme as regras com a operadora antes de comprar por conta própria.

O colchão substitui a mudança de decúbito?

Não. Mesmo o melhor colchão apenas ganha tempo, e a mudança de posição continua sendo a principal medida contra as escaras.

A recomendação é reposicionar o idoso a cada duas horas, mais ou menos, revezando os lados e a barriga para cima.

Junto disso, mantenha a pele limpa e seca, hidrate as regiões de mais atrito e observe todos os dias os pontos de apoio. Uma vermelhidão que não some ao aliviar a pressão já é um sinal de alerta.

Diante do primeiro sinal de ferida, procure o enfermeiro ou o médico, porque a escara avança rápido e o tratamento é mais fácil no começo.

Colchão de água serve para prevenir escaras no idoso?

Ajuda pouco e não é a melhor opção.

O colchão de água distribui o peso, mas não muda os pontos de apoio sozinho como o pneumático de pressão alternada, além de ser pesado e difícil de manejar em casa.

Para risco real de escara, o pneumático ou a caixa de ovo rendem mais.

Precisa deixar o compressor do colchão pneumático ligado o tempo todo?

Sim. O compressor é o que faz as células inflarem e esvaziarem em ciclos, e é justamente esse movimento que alivia a pressão.

Desligado, o colchão perde a função e se torna uma superfície comum. Por isso ele foi feito para ficar ligado enquanto o idoso está deitado.

O colchão sozinho cura uma escara que já se formou?

Não. O colchão ajuda a aliviar a pressão e a não piorar, mas uma ferida já formada precisa de curativo e acompanhamento profissional.

Diante de uma escara, procure o enfermeiro ou o médico para orientar o tratamento certo.

O idoso acamado precisa de colchão especial ou o comum serve?

Para quem passa o dia todo na cama, o colchão comum não alivia a pressão o suficiente e deixa a pele em risco.

Um idoso que ainda anda e só descansa deitado pode não precisar, mas o acamado se beneficia de um colchão próprio para lesão por pressão.

Quanto tempo dura um colchão pneumático para escaras?

Depende do uso e do cuidado, mas em geral de um a dois anos de uso contínuo.

A capa impermeável e a limpeza regular ajudam a durar mais, e vale checar de tempos em tempos se as células e o compressor continuam funcionando bem.

Fontes

Fábio Guedes

Fábio Guedes é jornalista (MTb 77804) com mais de 15 anos de experiência em coberturas de temas relacionados às áreas da saúde, negócios e finanças.

Criou o Idoso Saudável, por acreditar que o brasileiro deve poder decidir como quer viver a própria velhice, com informação confiável ao alcance dele e de quem cuida dele.

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