Alimentação para idoso acamado: o que dar, como oferecer e evitar engasgo

Cuidadora oferecendo comida a um idoso acamado sentado na cama Imagem: Arquivo Idoso Saudável

A alimentação para idoso acamado é uma das partes mais delicadas do cuidado em casa.

Cada refeição carrega o medo do engasgo, a preocupação com o pouco que ele come e a dúvida sobre a consistência certa da comida.

Além disso, o idoso que passa o dia na cama perde apetite, força e, muitas vezes, a segurança para engolir.

Nessa fase, alimentar bem é ao mesmo tempo uma questão de nutrição e de evitar que a comida vá para o pulmão.

Com alguns cuidados na hora de oferecer a comida, você consegue reduzir muito esse risco e garantir que o idoso acamado ficará bem nutrido em casa.

Como deve ser a alimentação de um idoso acamado?

A alimentação do idoso acamado precisa ser nutritiva, rica em proteína e dividida em pequenas refeições ao longo do dia.

Como ele gasta pouca energia parado na cama, importa muito mais a qualidade da comida do que a quantidade.

O erro mais comum é a comida pobre. O nutricionista Anderson Silva vê muitos acamados alimentados só com sopa rala, pão e café com leite: “ele tem uma alimentação muito pobre em proteínas e nutrientes, e com isso há uma grande perda de massa muscular”.

Sem proteína suficiente, o idoso perde força e fica mais vulnerável.

Por isso, cada refeição deve ter uma fonte de proteína, como ovo, frango desfiado, carne bem cozida, feijão amassado ou leite e derivados.

Oferecer pouco e várias vezes funciona melhor do que dois pratos grandes, que cansam e desanimam quem já tem pouco apetite.

Leia mais: Como cuidar de idoso acamado no dia a dia

Qual a posição correta para alimentar o idoso acamado?

A posição é o cuidado mais importante da refeição.

O idoso deve comer sentado, o mais perto possível dos 90 graus, nunca deitado ou recostado.

A enfermeira Erlaine Rezende resume a regra: “sempre, sempre, sempre 90 graus”.

Sempre que der, leve o idoso para a mesa. Comer na cama, segundo ela, “traz uma sensação maior de doença”, enquanto sentar-se à mesa devolve um pouco da rotina.

Deixe o idoso comer sozinho enquanto conseguir, mesmo que demore, e use uma colher adaptada para ajudar.

Você assume quando ele se cansa e não leva mais o garfo à boca.

Alimentação não é o momento que o idoso pode ficar sozinho”, alerta Erlaine, porque um engasgo sem ninguém por perto se torna uma emergência.

Depois da refeição, mantenha o idoso sentado por meia hora antes de deitar.

O que fazer e o que não fazer ao alimentar o idoso acamado
Imagem: Arquivo Idoso Saudável

Quais os sinais de que o idoso acamado engoliu errado?

Alguns sinais mostram que a comida foi para o lugar errado.

Quando o idoso engole mal, parte do alimento desvia para o pulmão em vez de ir ao estômago, o que Erlaine descreve como “a comida que não desce direitinho para o estômago e vai para o pulmão”.

É a broncoaspiração, e ela pode causar pneumonia.

Fique atento durante e logo após a refeição a sinais de que o idoso pode ter aspirado:

  • tosse ou engasgo
  • face arroxeada
  • voz molhada, como se algo estivesse preso na garganta
  • sonolência fora do comum depois de comer

Diante de qualquer um deles, procure o hospital.

Se o idoso tosse ou engasga com frequência nas refeições, é sinal de dificuldade para engolir, a chamada disfagia.

Nesse caso, procure um fonoaudiólogo, o profissional que avalia a deglutição e orienta os exercícios e a consistência mais segura para cada caso.

Como adaptar a consistência dos alimentos para o idoso acamado?

Quando engolir fica difícil, mude a consistência da comida em vez de cortar a alimentação.

Assim, a dieta passa a ser pastosa, com alimentos bem cozidos, amassados ou batidos, que exigem menos esforço para engolir.

Anderson lembra que, mesmo sem arroz e feijão soltos, dá para fazer “uma sopa bem elaborada, rica em nutrientes, vitaminas, minerais e proteínas”.

O segredo é bater junto legumes, uma fonte de proteína e um fio de azeite, em vez de servir só o caldo.

O maior risco está nos líquidos ralos, como água e sucos finos, que descem rápido e provocam engasgo.

Para eles existe o espessante alimentar, que dá corpo ao líquido e torna a deglutição mais segura.

Evite também alimentos secos, que esfarelam na boca, e a mistura de líquido com pedaços no mesmo prato.

Como evitar a desnutrição no idoso acamado?

Para combater a desnutrição, enriqueça o que o idoso já come em vez de aumentar o volume do prato.

Manter a massa muscular protege a pele.

Segundo Anderson, “uma das principais causas de lesão em um paciente acamado é a magreza”, porque os ossos ficam mais salientes contra o colchão.

Para reforçar cada refeição, acrescente ovo, leite em pó, azeite ou queijo à comida amassada, o que aumenta as calorias e a proteína sem aumentar o prato.

Quando o apetite não acompanha, o suplemento alimentar ajuda, e Anderson recomenda usá-lo “prescrito preferencialmente por um nutricionista”.

Quando o idoso acamado precisa de sonda para se alimentar?

A sonda é indicada quando comer pela boca deixa de ser seguro ou suficiente para nutrir o idoso.

Ela não é o primeiro recurso e não significa que você falhou. É uma forma de proteger quem já não consegue engolir sem risco.

O uso costuma ser indicado quando o idoso aspira com frequência, tem disfagia grave ou perde peso de forma contínua mesmo com a dieta adaptada.

A decisão é sempre do médico e do nutricionista.

Em muitos casos, mesmo com a sonda, o idoso ainda recebe pequenas ofertas de comida pela boca, só pelo prazer, quando a equipe considera seguro.

Diante de engasgos frequentes ou queda de peso, procure o profissional antes que o quadro se agrave.

O que fazer se o idoso acamado se engasgar durante a refeição?

Pare a alimentação na hora e mantenha o idoso sentado, inclinado um pouco para a frente, incentivando a tosse, que ajuda a expulsar o alimento.

Se ele não melhora, fica com a face roxa ou não consegue respirar, chame o SAMU pelo 192.

Depois do episódio, avise o médico, porque parte da comida pode ter ido para o pulmão.

O que fazer com o idoso acamado que se recusa a comer?

Procure primeiro a causa, porque dor na boca, prótese malajustada, um remédio que tira o apetite, prisão de ventre ou tristeza reduzem a vontade de comer.

Ofereça porções menores e mais vezes, respeite os alimentos que ele prefere e não force a colher, o que aumenta o risco de engasgo.

Se a recusa continua e ele perde peso, procure o médico e o nutricionista.

Precisa cozinhar uma comida separada para o idoso acamado?

Nem sempre. Na maioria dos casos, a própria refeição da família serve, depois de amassada ou batida até a consistência que o idoso engole com segurança.

Isso garante variedade e evita o trabalho de duas panelas. Evite só os temperos muito fortes e confirme com o nutricionista ou o fonoaudiólogo a textura ideal para o caso dele.

O idoso acamado precisa escovar os dentes depois de comer?

Sim, e isso é mais importante do que parece. Erlaine lembra que “uma das maiores possibilidades de pneumonia é por bactérias vindo da boca”.

Limpar a boca e os dentes após cada refeição, mesmo com o idoso na cama, reduz o risco de infecção respiratória.

O idoso acamado também pode engordar demais?

Pode, e é mais comum do que se pensa.

Parado na cama, o idoso gasta pouca energia, e a comida em excesso se acumula como peso a mais, que atrapalha o banho, a troca e a mudança de posição.

“Os cuidadores continuam dando comida em excesso”, observa o nutricionista Anderson Silva, e emagrecer um acamado depois é bem mais difícil.

Ofereça comida nutritiva na quantidade certa, com menos açúcar e frituras, sem precisar cortar a alimentação.

Fontes

Fábio Guedes

Fábio Guedes é jornalista (MTb 77804) com mais de 15 anos de experiência em coberturas de temas relacionados às áreas da saúde, negócios e finanças.

Criou o Idoso Saudável, por acreditar que o brasileiro deve poder decidir como quer viver a própria velhice, com informação confiável ao alcance dele e de quem cuida dele.

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