Num banheiro sem piso antiderrapante, a água transforma um chão liso em superfície escorregadia bem onde o corpo mais se move.
O piso é a base da segurança do cômodo e a barra de apoio e a cadeira de banho funcionam melhor quando o chão já não escorrega.
Você não precisa, necessariamente, quebrar o banheiro para resolver isso.
Existem quatro possibilidades, do adesivo barato à troca do revestimento.
A escolha depende de quanto você pode mexer no banheiro, de quanto quer gastar e de onde o piso escorrega mais.
Quais são as opções para deixar o piso do banheiro antiderrapante?
São quatro alternartivas que não competem em si, porque muita casa acaba usando dois ao mesmo tempo.
- Trocar o revestimento. É a solução definitiva, porque o piso passa a ser antiderrapante por natureza. Exige obra, custa mais e só faz sentido quando a reforma já está prevista.
- Fita ou adesivo antiderrapante. Cola direto no piso, custa pouco e quase não aparece. Precisa de piso limpo e seco na hora de aplicar, e descola com o tempo, o que pede troca.
- Tapete antiderrapante. Cobre a área do banho e sai na hora de limpar. Segura por ventosa, que exige piso liso, ou por borracha na parte de baixo.
- Tratamento líquido. Um produto aplicado sobre o piso para aumentar o atrito, sem trocar nada. O caminho tem lógica, mas merece uma conversa à parte.
O trecho que mais importa é o do box, onde o pé fica molhado e apoiado com o corpo em movimento. Se você só puder tratar um lugar, trate esse.

O antiderrapante líquido funciona?
O antiderrapante líquido funciona, por uma questão química.
É um tratamento à base de ácido que abre microporos no esmalte do piso e essas microcavidades rompem a película de água que faz o pé deslizar.
Com a película rompida, o pé volta a ter atrito com o chão molhado. A aplicação profissional existe há anos e o efeito já foi medido pela própria indústria cerâmica.
O problema está no que se vende pronto na internet. Os antiderrapantes líquidos oferecidos online costumam ter pouquíssimas avaliações, marca genérica e ficha de produto que se contradiz, com peso no título diferente do peso na especificação.
O resultado ainda varia conforme o tipo de piso e a forma de aplicar. Por isso não indicamos nenhum antiderrapante líquido, porque num assunto em que o erro custa uma fratura não dá para recomendar o que não tem lastro.
Se esse caminho interessa a você, procure uma empresa que faça a aplicação profissional e ofereça garantia por escrito.
Qual a melhor solução antiderrapante para o banheiro?
A melhor solução depende de onde o piso escorrega e de quanto você quer investir. Estas são as que valem o dinheiro em cada caso.
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Melhor no geral: tapete de box com drenagem e ventosas, 40×100 cm
Tapete comprido, que cobre a faixa inteira onde o idoso fica em pé no banho. As ventosas prendem no piso e os furos escoam a água em vez de deixar poça.
É lavável, sai e volta na hora da limpeza e não exige obra nenhuma. Por volta de R$ 90.

Melhor fita antiderrapante: 3M, transparente
Fita da 3M, que é referência em adesivos técnicos, com acabamento transparente que some no piso. Cola no chão do box e resolve para quem não quer tapete nem obra.
Ela dura mais se você aplicar com o piso limpo e bem seco. Por volta de R$ 95.

Melhor custo: Vonder, fita antiderrapante 50 mm x 5 m
Cinco metros de fita por volta de R$ 26, o suficiente para várias faixas no piso do box. É a forma mais barata de tirar o escorregadio do lugar de maior risco, com avaliação alta de quem já usou.
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Melhor tapete emborrachado: vazado, para idoso
Tapete de borracha vazada, pensado para área molhada, que escoa a água pelos furos e não guarda poça por baixo.
A borracha dá aderência sem depender de ventosa, o que ajuda em piso menos liso. Por volta de R$ 60.
Como escolher um piso antiderrapante na reforma?
Se o banheiro já vai passar por obra, essa é a hora de resolver o piso de vez.
A norma brasileira de acessibilidade, a ABNT NBR 9050, pede superfície antiderrapante sob qualquer condição, seco ou molhado. A exigência alcança prédios de uso público e coletivo e as áreas comuns dos condomínios.
Dentro de casa a norma vale como régua, porque o revestimento tem que segurar o pé justamente quando está encharcado.
Fuja do polido e do brilhante. O porcelanato polido é bonito e perde quase toda a aderência quando molha, tanto que os próprios fabricantes o contraindicam em área molhada.
Prefira acabamento acetinado, natural ou rústico, com alguma textura na superfície.
Na loja, pergunte pelo coeficiente de atrito do modelo, número que os fabricantes trazem na ficha técnica.
Para banheiro, procure 0,4 ou mais, medido com o piso molhado pelo ensaio da ABNT NBR 16919. É a forma objetiva de comparar dois pisos que parecem iguais no mostruário.
Como manter o piso do banheiro seguro no dia a dia?
Nenhuma solução dura sozinha, porque a fita descola, o tapete cria limo por baixo e o ralo entope.
Quatro hábitos simples mantêm o piso do banheiro seguro:
- Seque o piso depois do banho, com um rodo pequeno deixado à mão.
- Mantenha o ralo desentupido, porque água parada anula qualquer aderência.
- Confira as fitas de tempos em tempos e troque as que começaram a descolar nas pontas.
- Lave o tapete com frequência, porque o limo que se forma por baixo escorrega mais que o piso nu.
Se o idoso já caiu ou anda inseguro em pé, procure o médico ou um fisioterapeuta. Nenhum piso antiderrapante substitui a avaliação de equilíbrio, visão e remédios.
Leia mais: O que mudar no banheiro para o idoso não cair
Fontes
- ABNT NBR 9050:2015, Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos (com Emenda 1:2020)
- Quedas em Idosos: Prevenção, SBGG, Projeto Diretrizes AMB/CFM, 2008
- Como reduzir quedas no idoso, INTO/Ministério da Saúde
- Porcelanato polido: onde usar e onde não usar, com coeficiente de atrito por ambiente (Incepa)
- Chemical Etching as Anti-Slip Treatment on Porcelain Stoneware Tiles, Centro Ceramico de Bolonha, congresso Qualicer, Castellón, 2014

Fábio Guedes é jornalista (MTb 77804) com mais de 15 anos de experiência em coberturas de temas relacionados às áreas da saúde, negócios e finanças.
Criou o Idoso Saudável, por acreditar que o brasileiro deve poder decidir como quer viver a própria velhice, com informação confiável ao alcance dele e de quem cuida dele.





