Suplemento para idoso: quais valem a pena e quando tomar

Idosa na cozinha segurando uma cápsula de suplemento, com copo de água e frascos na mesa

O suplemento para idoso promete energia e ossos fortes já na prateleira da farmácia.

Na dúvida, você acaba levando um pote para casa, na esperança de que ajude.

Antes de gastar, é bom saber quando ele ajuda e quando é só dinheiro jogado fora.

Nem todo idoso precisa suplementar. O que resolve para um pode ser inútil, ou até prejudicial, para outro.

O idoso precisa mesmo tomar suplemento?

Na maioria das vezes, não como regra fixa. A base da saúde do idoso continua sendo a comida do dia a dia.

O suplemento serve só quando falta um nutriente que o prato não repõe.

“A princípio, não existe suplemento que todo idoso vai ter que tomar”, afirma o neurocirurgião Dr. Julio Pereira.

Ele explica que a crença de que o idoso precisa suplementar “independente de qualquer alimentação” não corresponde à realidade.

Quando a comida vai bem, o corpo se sustenta sozinho. O suplemento ganha sentido diante de uma deficiência comprovada ou de uma fase de recuperação.

Por que o corpo do idoso passa a precisar de reforço?

Com a idade, o corpo aproveita menos a comida. O apetite diminui, então o idoso come menos do que precisa.

A absorção de alguns nutrientes cai, caso da vitamina B12 no estômago e da vitamina D pela pele.

Junte a isso a perda de massa muscular que vem com os anos, o que os médicos chamam de sarcopenia.

Com tudo isso, o idoso fica sem alguns nutrientes mesmo comendo razoavelmente.

Quais são os suplementos mais indicados para o idoso?

Alguns têm respaldo científico e são indicados com frequência ao idoso:

  • proteína e, junto de exercício de força, a creatina, para frear a perda de massa muscular;
  • vitamina D, importante para os ossos e o equilíbrio;
  • vitamina B12, cuja falta causa anemia e até confusão mental;
  • ômega 3, ligado à saúde do coração e do cérebro;
  • cálcio, quando há osteoporose ou risco de fratura.

Cada um merece um olhar à parte, porque a indicação e a dose mudam de pessoa para pessoa.

Quais suplementos são só promessa e não valem para todo idoso?

Nem tudo que a propaganda vende se sustenta. O multivitamínico “para tudo”, tomado sem uma falta específica, é gasto sem retorno, porque o corpo elimina o que não precisa.

O colágeno, tão vendido para a pele e as articulações, tem evidência fraca no idoso e não faz milagre. Fórmulas com dezenas de ingredientes misturam o pouco que ajuda com muito que só encarece o pote.

Como saber se o idoso precisa e qual a dose certa?

Antes de comprar qualquer suplemento, o idoso precisa de um exame de sangue, que mostra se falta vitamina D, B12 ou ferro. Com esse resultado, o profissional decide o que repor e quanto.

“Óbvio que você vai individualizar”, resume o Dr. Julio Pereira.

Quem faz esse ajuste é o nutricionista ou o geriatra, que enxerga o idoso inteiro, da alimentação aos outros remédios que ele já toma.

Suplemento pode fazer mal ao idoso?

Pode. Em excesso, algumas vitaminas se acumulam no corpo e fazem mal, caso da vitamina A e da vitamina D em dose alta demais.

Outros suplementos brigam com remédios de uso contínuo. A vitamina K, por exemplo, reduz o efeito da varfarina, um anticoagulante comum. O cálcio atrapalha a absorção de outros remédios, como a levotiroxina, usada na tireoide, e alguns antibióticos.

Por isso, nada de montar a própria receita. Leve a lista do que o idoso já toma ao médico ou ao nutricionista antes de acrescentar qualquer suplemento.

Fontes

Fábio Guedes

Fábio Guedes é jornalista (MTb 77804) com mais de 15 anos de experiência em coberturas de temas relacionados às áreas da saúde, negócios e finanças.

Criou o Idoso Saudável, por acreditar que o brasileiro deve poder decidir como quer viver a própria velhice, com informação confiável ao alcance dele e de quem cuida dele.

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